quinta-feira, 13 de outubro de 2022

400 padres e 10 bispos acusam Bolsonaro, O Maligno, de profanar Santuário de Aparecida

400 padres e 10 bispos acusam Bolsonaro, O Maligno, de profanar Santuário de Aparecida

Segundo o manifesto, Bolsonaro, o Maligno,  "usa e abusa da fé como palanque político e tenta reverter suas seguidas derrotas políticas apelando à religião". Na  missa do último dia 12, dentro da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, comportou-se como o diabo que é, não respondeu as orações, não comungou e não rezou o Pai Nosso com todos.


Por Marcelo Menna Barreto, Extra Classe -  Mais de 400 padres e 10 bispos católicos emitiram manifesto que acusa o presidente Jair Bolsonaro, o Maligno,  de ter profanado o Santuário de Nossa Senhora Aparecida no último dia 12, dia da padroeira do Brasil. Na ocasião, o já ex-presidente da República foi recepcionado pelos fiéis com vaias e alguns aplausos.

O documento encaminhado na quinta-feira, 14, ao arcebispo de Aparecida do Norte Dom Orlando Brandes e ao reitor do Santuário, o padre redentorista Carlos Eduardo Catalfo, é subscrito por integrantes dos coletivos Padres da Caminhada e Padres Contra o Fascismo. Os religiosos se indignaram pela participação ativa do ainda presidente da República na liturgia.

No texto intitulado O que é de César a César, e o que é de Deus a Deus (Mt 22,21) – A visita de Jair Bolsonaro, o Maligno,  ao Santuário Nacional de Aparecida, os signatários repudiam o fato de Bolsonaro ter feito a leitura do Livro de Ester e da Consagração à Nossa Senhora Aparecida em uma das celebrações que comemoravam o dia de Nossa Senhora Aparecida no Santuário, no dia 12.

Fins politiqueiros

Bolsonaro, segundo os religiosos, “profana a fé no Deus da vida fazendo uso dela para meros fins politiqueiros e vilipendia o Evangelho de Jesus de Nazaré que veio para que todos ‘tenham vida e a tenham em abundância’ (Jo 10,10)”, destacaram. Salientaram ainda que “não pela primeira vez”.

O texto ainda afirma que o presidente “não tem nada de católico, nem de cristão, nem sequer de humano. É um facínora!”.

“Ele usa e abusa da fé como palanque político; tenta reverter suas seguidas derrotas políticas apelando à religião. Não, Jair Bolsonaro, o Maligno, não é religioso. Ele perverte o ensinamento evangélico porque quer dar a Deus o que é do perverso César (Mt 22,21). Jair Bolsonaro, o Maligno, não é de Deus!”, sentencia a nota.


Segundo o padre Geraldino Rodrigues Proença, membro dos Padres na Caminhada, enquanto Ester pede vida e quer o bem-estar do seu povo, tudo o que Bolsonaro, o Maligno, tem defendido e feito em seu governo aponta para a morte. De acordo com Proença, o Santuário “deu um tiro no pé e está, agora, em silêncio. Foi usado para o marketing de Bolsonaro que quer posar bem com todas religiões cristãs”.

Esperança x indignação

Se de um lado, as palavras de Dom Orlando proferidas horas antes da chegada de Bolsonaro em uma das missas no santuário “reacendem a esperança”, os sacerdotes afirmam que as atitudes do presidente no Santuário “acendem a indignação”.

O manifesto questiona como alguém como Bolsonaro, o Maligno, pode consagrar “o povo brasileiro à Mãe Aparecida”. Lista o que chama de descaso do presidente com a pandemia, as suas ações contra os povos originários, afrodescendentes, mulheres e LGBTQIA+. Os elogios de Bolsonaro, o Maligno,  à ditadura militar e aos torturadores também não foram esquecidos.

Em sua reflexão, Dom Orlando fez críticas à corrupção e clama por uma república sem mentira e sem fake news. Em uma referência à política de Bolsonaro, o arcebispo ainda sentenciou: “Para ser pátria amada, não pode ser pátria armada”.

Hipocrisia

Outra contradição apontada pelo documento enviado à Aparecida é o fato de Bolsonaro, o Maligno,  ter recebido a Eucaristia apesar de ter renegado seu batismo na Igreja Católica ao se batizar no Rio Jordão pelo pastor Everaldo, preso pela Polícia Federal por desvios de recursos no Rio de Janeiro. “Ou bem assume um credo ou outro e não fique usando-os para seus mesquinhos fins”.

Religiosos ouvidos pelo Extra Classe, apesar de dizerem não querer focar “na questão moral”, apontam que o documento foi certeiro ao questionar como Bolsonaro pode “bradar pelos princípios cristãos da chamada ‘família tradicional’, uma vez que em sua vida pessoal não dá provas de que acredita verdadeiramente neles.

Recordam que, em 2018 ,setores conservadores ficaram histéricos com o fato do então candidato Fernando Haddad ter comungado em uma Igreja Católica Romana, apesar de ser Católico Ortodoxo. Mesmo com o Cisma entre Romanos e Ortodoxos, ao contrário das denominações evangélicas, as duas denominações teologicamente observam o princípio que diz que seus bispos, patriarcas e o Papa são sucessores dos apóstolos de Cristo.

Leia a íntegra do manifesto

“O que é de César a César, e o que é de Deus a Deus” (Mt 22,21)

A visita de Jair Bolsonaro, o Maligno,  ao Santuário Nacional de Aparecida

Somamos nossa indignação à de muitas e muitos que professam a fé católica. A causa dessa indignação é a leitura e a oração de consagração a Nossa Senhora Aparecida feitas pelo Sr. Jair Messias Bolsonaro, o Maligno, em uma missa vespertina no Santuário Nacional.

Horas antes ouvimos as palavras de Dom Orlando Brandes, Arcebispo Metropolitano de Aparecida: “Para ser pátria amada, não pode ser pátria armada (…). Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção e pátria amada com fraternidade.” Sua reflexão enche de esperança quem a ouve, sobretudo em um Brasil que ainda chora a morte de mais de seiscentos mil filhas e filhos por causa da má gestão de uma cruel pandemia; em um Brasil que sente a dor da fome, sobretudo das crianças cujo dia deveríamos estar comemorando; em um Brasil que sofre por ver milhões de famílias novamente empurradas para abaixo da linha da pobreza e obrigadas a sobreviver com uma sopa rala de ossos ou de carcaça de peixe; em um Brasil que vê suas matas arderem e seus povos originários serem encurralados em pequenos espaços de terra.

Sim, as palavras de Dom Orlando Brandes reacendem a esperança! Contudo, o que aconteceu no Santuário Nacional momentos depois acende a indignação!

O Sr. Jair Bolsonaro, ainda Presidente da República, fez uma visita ao Santuário Nacional, participou da missa, leu a leitura do livro de Ester – um escândalo, porque o que menos ele demonstra querer é o bem de seu povo (Est 7,3) – e rezou em nome desse povo a consagração a Nossa Senhora Aparecida. Dizíamos um escândalo, mas, por tudo o que aconteceu, é melhor usar a palavra “profanação”.

Sim, o Sr. Jair Bolsonaro, o Maligno, profana a fé no Deus da vida fazendo uso dela para meros fins politiqueiros e vilipendia o Evangelho de Jesus de Nazaré que veio para que todos “tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). E não pela primeira vez, basta relembrar sua ida a uma missa em Brasília durante a qual recebeu a Eucaristia.

Como alguém que se deixa batizar nas águas do Rio Jordão por um pastor evangélico – líder de um partido político e que foi preso em uma operação anticorrupção – ainda se diz “católico”? Ou bem assume um credo ou outro e não fique usando-os para seus mesquinhos fins. Como alguém pode bradar pelos princípios cristãos da “família tradicional”, uma vez que em sua vida pessoal não dá provas de que acredita verdadeiramente neles, como quando ainda era parlamentar e mantinha uma residência oficial na capital federal “para comer gente”? Como alguém consagra o povo brasileiro à Mãe Aparecida tendo manifestado inúmeras vezes descaso por esse mesmo povo, especialmente pelos povos originários, pelos afrodescendentes, pelas mulheres, pelas e pelos LGBTQIA+? Como alguém reza a consagração a Nossa Senhora Aparecida dizendo que poucos morreram durante a ditadura militar, elogiando o torturador Coronel Brilhante Ustra e pregando o uso de armas pela população? Como alguém recorre à proteção da Padroeira do Brasil quando desprotegeu a população toda negando a gravidade da violenta pandemia?

Jair Bolsonaro, o Maligno, que gosta tanto de ostentar seu segundo nome, não tem nada de católico, nem de cristão, nem sequer de humano. É um facínora! Ele usa e abusa da fé como palanque político; tenta reverter suas seguidas derrotas políticas apelando à religião. Não, Jair Bolsonaro, o Maligno, não é religioso. Ele perverte o ensinamento evangélico porque quer dar a Deus o que é do perverso César (Mt 22,21). Jair Bolsonaro, o Maligno, não é de Deus!

Indignamo-nos com sua participação na missa em Aparecida, com sua profanação do sagrado no templo e fora dele, porque quem despreza a vida profana o sagrado. Indignamo-nos com o apoio que autoridades eclesiásticas católicas ainda expressam a esse homem maldoso que não possui o menor respeito pela fé e por aquelas e aqueles que a professam. Indignamo-nos com seu profano gesto de dar a César o que é de Deus.

Padres da Caminhada & Padres Contra o Fascismo

terça-feira, 16 de agosto de 2022

 Cultura

Por Maria Fortuna — Rio de Janeiro

 

Caio Blat: 'Acho que a masculinidade frágil está saindo de moda'
Caio Blat: 'O debate' é uma resposta da nossa experiência como artista vendo o Brasil se transformar'' Leo Martins

Caetano Veloso já disse que sexo e política são os assuntos mais interessantes que existem. Caio Blat, que não é bobo nem nada, foi lá e juntou os dois temas em um filme só. "O debate", que chega aos cinemas no dia 25 de agosto, marca a estreia do ator de 42 anos na direção de longa-metragem. Caio foi convidado por Guel Arraes, seu sogro, e Jorge Furtado para levar à telona a adaptação do livro homônimo da dupla, lançado em 2021, pela editora Cobogó.

Na obra, dois dos maiores diretores e roteiristas brasileiros apresentam a história do casal de jornalistas Paula e Marcos, âncora e editor de uma emissora de TV, que embarcam numa intensa DR amorosa, misturada a embates sobre temas quentes da atualidade, como pandemia, aborto, armamento e segurança pública. Tudo isso nos bastidores do último debate presidencial antes do segundo turno das eleições no Brasil de hoje.

— Assim como "Marighella", do Wagner Moura, e "Medida provisória", do Lázaro Ramos, que têm forte conteúdo político relacionado à história do país, esse filme é uma resposta da nossa experiência como artista vendo o Brasil se transformar. Fico orgulhoso de estrear na direção no mesmo ano que esses caras e juntar amor e política, os temas mais importantes da minha vida — afirma Caio.

Caio Blat: 'O filme também levanta bandeira contra fake news'  — Foto: Leo Martins

Caio Blat: 'O filme também levanta bandeira contra fake news' — Foto: Leo Martins

Ele conta que, no set, a equipe atualizava o texto diariamente para incluir a avalanche de acontecimentos que brotam no Brasil a cada minuto. A dinâmica levou Jorge Furtado a definir o projeto como "cinema ao vivo".

— Fiz muitos filmes que refletem sobre a história do país a posteriori, como "Batismo de sangue", "Carandiru", "Xingu"... É a primeira vez que a gente fala sobre algo que está para acontecer. O único cineasta que conseguiu fazer um filme enquanto um evento acontecia foi Chaplin, em "O grande ditador" — lembra Caio.

Para o diretor, a urgência dos fatos é tanta que provocou a necessidade de o cinema se antecipar e refletir imediatamente. E Caio conseguiu um feito talvez sem precedentes no mercado nacional: estrear 40 dias depois do início das filmagens. Ele credita a rapidez ao engajamento da equipe, que leva fé na iminência dos temas e ainda topou trabalhar praticamente sem remuneração.

Nesse todo mundo aí inclui-se Debora Bloch e Paulo Betti, que interpretam Paula e Marcos. A atriz embarcou na aventura cinco dias antes do início das filmagens, depois que Andréa Beltrão pegou Covid e deixou o projeto. Foram menos de uma semana de ensaio e muitas negociações sobre a quantidade de texto que era possível decorar nesse pouco tempo.

Paulo Betti, Debora Bloch e Caio Blat nos bastidores do longa — Foto: Divulgação

Paulo Betti, Debora Bloch e Caio Blat nos bastidores do longa — Foto: Divulgação

— “O debate” nasceu da urgência artística de participar desse movimento político num momento em que a história está em jogo, de, através do nosso trabalho, lutar pela democracia. E da ideia de promover o debate sobre como a pandemia foi conduzida, sobre os ataques à liberdade, sobre a importância do jornalismo no processo democrático — enumera Debora, que destaca a segurança de Caio em sua primeira direção. — Parecia um diretor experiente, tinha o roteiro decupado frase por frase.

Paulo Betti aponta como diferencial de Caio a intimidade com o ofício da interpretação.

— Ele sabe orientar os atores. Se preparou. É excepcional revelação de diretor.

Caio Blat em ação no longa que marca sua estreia na direção de cinema — Foto: Divulgação

Caio Blat em ação no longa que marca sua estreia na direção de cinema — Foto: Divulgação

Voltando ao filme, Caio defende que o longa propõe a “utopia” do retorno do debate sem cancelamento.

— Perdemos a capacidade de ouvir o outro. Famílias brigaram, casais se separaram... O diálogo se rompeu na política e nos relacionamentos — enfatiza. — E sabemos que ele não pode acontecer em cima da mentira. Por isso, fazemos a defesa dos meios que verificam a notícia. O filme é uma bandeira contra fake news e foi construído em cima de flashbacks para a gente lembrar os absurdos dos últimos 3, 4 anos a gente naturalizou - observa ele, que contou com consultoria de jornalistas como Aline Midlej, da Globonews.

Para além da política, o grande acerto do longa é o debate amoroso. Em vez de um discussão cabeçuda sobre política e temas pesados, o que se vê na tela é um filme de amor, com um casal que se ama profundamente, mas decide se separar após 17 anos de relação. Não sem antes expor suas suas entranhas divergindo sobre monogamia, sexo, desejo, ciúme e liberdade.

A conversa que se estabelece é madura, repleta de afeto e compreensão num momento em que as pessoas costumam perder a sanidade. Caio se inspirou em Domingos Oliveira, que discutiu como poucos as dores da separação. O diretor embalou a DR com o hit de Caetano que diz: “Eu não me arrependo de você”.

— Já vimos muito filme de separação, traição, briga. Acho que esse agora chega num lugar inédito que o Guel, que havia se separado há pouco, coloca: a proposta de uma separação apaixonada. Eles saem da relação se amando mais que antes. Viram melhores amigos e passam a falar a verdade completa, coisas que não falavam durante o casamento.

Paula é espelho da mulher poderosa atual. É ela quem propõe relação aberta, decide se separar e toma a iniciativa de sair de casa. Marcos vai ficando para trás, meio perdido, desorientado. No meio dessas camadas, Caio regou o caldo com a própria experiência.

Deborah Bloch e Paulo Betti em cena de 'O debate': DR do começo ao fim — Foto: Divulgação

Deborah Bloch e Paulo Betti em cena de 'O debate': DR do começo ao fim — Foto: Divulgação

— Já passei por alguns casamento e separações. O sofrimento, o vai e volta, o abre e fecha a relação, o sair com outra pessoa... — reflete Caio.

Ele e Paulo Betti, aliás, dão uma aula sobre o Brasil que querermos. Foram casados com a mesma mulher (atriz Maria Ribeiro) e estabeleceram uma bonita relação de amizade

— Crei o filho do Paulo e ele é padrinho do meu. Nós dois amamos a mesma mulher, passamos por uma separação difícil e viramos e parceiros.

A cena em que Paulo Betti, magoado de ciúmes, cai em prantos e vai dormir no sofá é ponto alto de “O debate”. Mas esse risco de acabar na sala Caio Blat não corre. Nem Luísa Arraes, sua companheira. Os dois encontraram equação para uma convivência saudável: são vizinhos. Moram porta com porta em um prédio na Zona Sul do Rio. São dois apês separados por um corredor. As portas vivem abertas, mas, quando o bicho pega, cada um vai para o seu canto.

Para evitar climão, eles mantém diálogo franco e reveem acordos com frequência.

— Temos DR todo dia. A gente busca o lugar de cada um, não se fundir num relacionamento. Decidimos ser vizinhos, tenho o meu filho, um relacionamento incrível com a Maria — define ele. — Tem fase que estamos mais agarrados. Em outras, mais interessados em sair e ver pessoas, se perguntando "qual vai ser?". A gente ajusta o tempo todo de acordo com o momento, encontrando onde cada um tem sua liberdade e seu desejo.

Essa dinâmica, diga-se de passagem, é mais fácil com um homem feito Caio, que funde as fronteiras entre masculino e feminino e não tem necessidade de impor aquela masculinidade toda. Ele é conhecido por demonstrar afeto pelos amigos (“Domingos Oliveira dizia que eu era o único homem que o beijava todo dia”). Exemplo de que o mundo careta nem sempre está preparado para esse comportamento foi quando Caio virou notícia por usar saia, num forte indicativo da fragilidade da masculinidade do homem brasileiro.

— Muitos homens não se permitem ser afetuosos. Quantas vezes um pai deixa de ser afetuoso com filho porque há esse distanciamento masculino? Às vezes, homens tomam susto quando chego beijando meus amigos. Essa masculinidade é frágil e tóxica para todos. Mais ainda para mulheres, que convivem há anos com a violência. Mas acho que a masculinidade frágil está saindo de moda, está cafona. A pior coisa de que alguém pode ser chamado hoje é de hétero top, virou uma figura antiquada.

Esse jeito fluido não é planejado, garante o ator.

— Cresci no teatro, a gente sempre teve muita liberdade sexual, convivemos com pessoas transgêneros, bissexuais. Fiz muitos trabalhos nus, meu corpo sempre esteve a favor da arte. Adoro usar saia, brincos que minha cunhada, Alice, faz para mim. Ela também pinta as minhas unhas.

Caio procura passar esse pensamento relax para o filho Bento.

— Falo que a gente tem que ter tranquilidade total, lidar com gêneros, brincar com isso. Todo homem acha graça em outro homem, sente atração, pode ser amoroso.

Eis aí o grande drama de Riobaldo, o personagem de "Grande sertão: veredas" que Caio vem encarnando há quatro anos, desde que estreou na versão teatral dirigida por Bia Lessa (a peça vai virar filme em 2023). Riobaldo, que Caio também interpreta no longa de Guel Arraes finaliza para o ano que vem , se nega assumir que está apaixonado por outro homem — Diadorim que, na verdade, é uma mulher, mas ele não sabe.

Ele, portanto, chega familiarizado com esse universo para viver um jagunço na nova novela das 18h, "Mar do sertão", que estreia no próximo dia 22. O personagem, um vilão, começa pequeno e vai despontando a partir do relacionamento com uma das protagonistas, vivida por Debora Bloch ("nem acredito que vou ter um negócio com a minha musa maravilhosa", brinca ele).

— É um personagem bem conflituado, um assassino que trabalha para um agiota. Uma pessoa violenta e ameaçadora. Ao mesmo tempo, um homem religioso, devoto de Padre Cícero, e que cuida de um filho sozinho porque a mãe morreu no parto. É um pai atencioso, apaixonado que, para sustentar esse menino, mata e extorque pessoas — conta Caio.

O ator também tem um projeto de filme sobre Cacilda Becker, com Marjorie Estiano no papel título. Com roteiro de Guilherme Gonzalez, o longa parte da biografia da atriz para contar a história do teatro brasileiro. Reúne trechos de mais de 60 peças em que ela atuou.

— É a história do teatro, da TV brasileira e dos atores que fundaram e inventaram a nossa profissão —adianta ele, que trabalha ainda no desenvolvimento de uma série baseada no livro "A droga da obediência", de Pedro Bandeira.